VEPMA entrega casarão da Fundação Patronato Maria Tavares restaurado
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O 3º Vice-Presidente do TJRS, desembargador Paulo Roberto Lessa Franz e o presidente da Fundação Nício Brasil Lacorte descerraram a placa de reinauguração da sede da Fundação Patronato Maria Tavares, no último dia 11.
Fundado em 1942, o casarão antigo que, atualmente, abriga a Fundação Patronato Maria Tavares, foi todo restaurado com recursos das prestações pecuniárias disponibilizados pela Vara de Execuções de Penas e Medidas Alternativas de Porto Alegre (VEPMA). A psicóloga Claudia Aranalde, coordenadora do Setor de Direitos Humanos, Cultura e Projetos/Departamento de Tratamento Penal, representou a superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).
Preservação histórica
No total, o Patronato já recebeu da VEPMA R$ 492.220,00 para reformas no sistema elétrico, nas quadras esportivas, compra de móveis, entre outros itens. O serviço foi feito com mão de obra de apenados que cumprem pena no semiaberto no Patronato, além de demais colaboradores.
Conforme Nício Lacorte, a meta, agora, é transformar em memorial a casa de madeira onde a fundadora do Patronato residiu até o fim da vida, a assistente social, Maria Tavares, falecida em 2014, aos 102 anos. Ela é referência em inclusão social no país. No espaço haverá uma biblioteca onde os internos terão acesso livre à leitura e aprendizado". A área que abriga a Fundação, a casa de madeira e o estabelecimento prisional está localizada em ampla área verde no bairro Teresópolis, em Porto Alegre.
Losekann lembrou da frase "Não existem pessoas irrecuperáveis, existem métodos inadequados". "Por acreditar neste lema de Maria Tavares é que todos os componentes da VEPMA se empenharam para viabilizar a reconstrução deste casarão, que albergou nos anos 40 e 50 os primeiros apenados que ela trouxe para esta casa", disse. Até hoje, O indíce de reincidência de crimes é de 5% e as fugas são raras, mesmo sem muros e grades no local.
"Este dinheiro não é do Poder Judiciário, este dinheiro provém do cumprimento das penas alternativas restritivas de direito, que é administrado pelo Judiciário, é dinheiro público e precisa de projetos para empregar este recurso", falou o magistrado.
Auditório da Inclusão e Combate às Drogas
Na parte superior do casarão, acontece o projeto de Limitação de Fim de Semana, onde 20 pessoas cumprem pena nos fins de semana. A ideia é acolher até 100 pessoas, disse Losekann, que busca o apoio da justiça federal para também aplicar os recursos das verbas pecuniárias, possibilitando ampliar espaços do Patronato.
Neste auditório também acontece as atividades do projeto "Restaurando Vidas", um parceria da Susepe e Cruz Vermelha que atua na prevenção e combate ao uso de drogas.
Capela, lenda e Francisco
Na oportunidade também foi inaugurada a capela em homenagem à memória de Maria Tavares, que sempre sonhou com o santuário na área de sua residência. A diretora do Patronato Maria Felippetto explicou que muitos acreditavam que quando a capela estivesse pronta, Maria Tavares ia falecer.
Com isso, a família pediu que não concluísse a obra do santuário. Mais tarde, "após o falecimento de Maria, terminou-se a lenda e assim a Fundação Patronato Maria Tavares, com verbas do Ministério Público das Fundações, finalizou a construção da capela, em tempo recorde.", disse Felippetto.
Os bancos e as mesas de madeira foram idealizados, projetados e produzidos por um apenado do Patronato Lima Drummond, que se chama Francisco. " Este apenado, além de eternizar seu trabalho para a história, ainda permitiu com que a Fundação Patronato Maria Tavares cumprisse sua missão principal, que é a de inclusão social", finalizou.
Texto: Neiva Motta/Imprensa Susepe