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Representantes da Segurança Pública participam de conferência sobre investigação digital em Porto Alegre

Evento conta com especialistas em segurança e tecnologia da informação brasileiros e estrangeiros

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A imagem mostra um homem de terno falando em um púlpito com microfone, em um ambiente de evento formal. Atrás dele há uma grande estrutura metálica iluminada em azul, lembrando uma turbina, que dá um aspecto industrial ao cenário. À direita, outro homem de terno claro aparece parcialmente de costas. No fundo, uma tela azul com desenhos geométricos brancos compõe a apresentação. Sobre a mesa próxima ao púlpito há uma garrafa de água e um copo.
O secretário Mário Ikeda na abertura do evento: momento de atualização e aprimoramento profissional - Foto: Rogério Fernandes /Ascom SSP

Integrantes da Secretaria da Segurança Pública e das forças policiais do Estado participam da Digital Investigation Conference Brazil

A imagem mostra um evento em um espaço de estilo industrial, com tubulações e máquinas ao fundo. No palco, há um palestrante em um púlpito transparente e três pessoas ao lado dele, diante de uma tela grande que exibe “1º DIA DICB 2026” com gráficos geométricos. À esquerda, aparece um painel com logotipos de patrocinadores como WB, DICB, FABIN e KODEX. O público está sentado e acompanha atentamente a apresentação.
O secretário Mário Ikeda abriu a conferência ao lado do chefe da PC Guerreiro, Alessandro Barreto e Emerson Wendt (organiz.) - Foto: Rogério Fernandes/Ascom (SSP-RS)
(Conferência Brasil de Investigação Digital) - DICB 2026, nesta quinta-feira (26/2), no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. O evento, que vai até esta sexta-feira (27/2), reúne profissionais dos setores público e privado que atuam com segurança e cibersegurança. O objetivo é proporcionar uma troca de experiências sobre prevenção, combate e responsabilização por crimes que ocorrem dentro e fora dos ambientes virtuais, mas que têm as tecnologias digitais como principal ferramenta.


Representando o Governo do Estado, o secretário da Segurança Pública, Mario Ikeda, abriu a Conferência, ao lado do chefe da Polícia Civil, Heraldo Guerreiro e dos organizadores Marcelo Maduell Guimarães, Alessandro Barreto e o delegado da Polícia Civil Emerson Wendt. Ikeda destacou a importância do encontro na formação dos policiais e no combate ao crime organizado, citando a crescente queda nos indicadores criminais.

A imagem mostra uma mulher palestrando em um evento, segurando um microfone e usando um crachá com “DICB 2026”. Atrás dela há uma tela grande com um slide intitulado “Cadeia de Custódia”, que explica os procedimentos legais da Lei Anticrime para o tratamento de provas em investigações criminais. O slide lista etapas como reconhecimento, isolamento, coleta, transporte e armazenamento, e cita artigos do Código de Processo Penal. No palco, aparecem materiais com a marca “FABIN”, indicando a organização do evento.
A desembargadora (TJSP) Ivana David abordou o uso de provas digitais no judiciário durante a palestra de abertura. - Foto: Dulce Mazer /Ascom SSP

“Crimes e golpes cibernéticos são complexos, o que implica em maior dificuldade no combate às ocorrências virtuais. Por isso as forças de segurança ganham muito com a formação contínua e a atualização constante”, afirmou Ikeda.

A imagem mostra duas pessoas em pé diante de um painel com logotipos de patrocinadores e do evento “Digital Investigation Conference Brazil”. À direita, uma mulher segura um certificado e uma medalha, indicando que recebeu um prêmio ou reconhecimento. Ao lado dela, um homem faz a entrega. O certificado traz o nome “Ivana David” e destaca sua contribuição na área de investigação digital.
Em nome da organização do evento, Guereiro entregou um certificado e uma medalha, homenageando a a desembargadora Ivana David. - Foto: Dulce Mazer /Ascom SSP
O secretário destacou a qualidade e capilaridade do evento, que conta com palestrantes especialistas de diversas áreas de tecnologia e segurança, como representantes das Polícias de vários estados, do Ministério Público e profissionais da iniciativa privada e do governo dos Estados Unidos.  Ikeda também ressaltou que a contribuição de cada setor da segurança é importante para o combater delitos na atualidade, já que os criminosos podem atuar de qualquer lugar do Brasil, inclusive fora do país.

Ao parabenizar os organizadores pela iniciativa, o delegado Guerreiro afirmou: “Enquanto cada vez mais nossa sociedade valoriza a exposição nas redes sociais e o uso de equipamentos que estão conectados em tempo real, os criminosos deixam pistas mais evidentes, para que a polícia possa fazer uma investigação qualificada, com uso de inteligência e tecnologia”.

Em sua fala, o delegado Emerson Wendt destacou o papel da Segurança Pública Estadual e da Polícia Civil na condução de investigações no cenário contemporâneo, salientando a importância do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) na solução e prevenção a crimes relacionados a essa temática.

Temas relevantes
A palestra de abertura foi proferida pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Ivana David, que abordou principalmente o uso de provas digitais no processo contemporâneo e os desafios inerentes: investigação, validade e cadeia de custódia.

A desembargadora abordou o desafio de enfrentar organizações criminosas, especialmente as digitais, qualificando a investigação e as evidências. Segundo Ivana, hoje os crimes analógicos e virtuais dependem de um processo de investigação sem vícios, para garantia de todo o processo.

“O Brasil enfrenta desafios na validação de evidências de crimes que ocorrem com apoio do meio digital, apesar de ser signatário de diversas convenções internacionais que visam o combate a crimes. Hoje o desafio de buscar provas digitais está nas práticas de organizações, que cometem todo tipo de crime de forma tecnológica. Minar os recursos desses grupos, como o acúmulo de cripto ativos, é ainda mais desafiador, uma vez que esses valores são protegidos digital e internacionalmente. A materialidade da prova depende da devida investigação criminal para que a evidência conste nos autos”, defendeu a magistrada.

Programação
O evento conta com duas trilhas de apresentações paralelas. Entre os palestrantes, estão representantes da Polícia Civil. Na manhã do primeiro dia, a delegada Luciane Bertoletti e o policial civil Renan Moura, ambos da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, ministraram a palestra “Identificamos e prendemos todos sem quebra de sigilo... mas pode isso Arnaldo?”, indicando que o sucesso no desfecho de alguns casos pode estar na coleta de evidências disponibilizadas pela própria vítima e em fontes públicas de informação. Em sua abordagem, ela mostrou como os policiais vêm fazendo investigações arrojadas, usando ferramentas tecnológicas e OSINT (open source intelligence), ou seja, inteligência de fontes abertas.

Na programação da tarde, o inspetor Pietro Bittencourt de Souza (DERCC) ministrou a palestra “Invisíveis no virtual, identificados no real”, em que mostrou como dados tradicionais podem derrubar cibercriminosos. Ele apresenta dois casos em que foram empregados métodos e técnicas para chegar à identificação dos suspeitos usando principalmente dados telefônicos, bem como dados financeiros que, mesmo ocultos no mundo digital, deixaram rastros analógicos”, revelou.

Na tarde do segundo dia, o delegado Cristiano Ritta, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), de Bagé, apresenta a palestra “Investigative hacking, engenharia social e localização de criminosos” e participa do painel “Geolocation & Timestamp: o poder dos dados para a investigação tecnológica”. Ritta é especialista em inteligência artificial e desenvolvedor de tecnologias para investigação. Ele reflete sobre como a investigação se beneficia das práticas de hackers, sobre o poder dos dados geolocalizáveis rastreados e aborda como a engenharia social, ou a manipulação psicológica usada por criminosos para obter informações, ou vantagens, pode ser identificada e investigada.

A segunda edição do DICB conta com apresentações de mais de 40 especialistas da área para um público de cerca de 300 participantes.

Texto: Dulce Mazer (Ascom/SSP). Edição: Ascom/SSP

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