Representantes da Segurança Pública participam de conferência sobre investigação digital em Porto Alegre
Evento conta com especialistas em segurança e tecnologia da informação brasileiros e estrangeiros
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Integrantes da Secretaria da Segurança Pública e das forças policiais do Estado participam da Digital Investigation Conference Brazil (Conferência Brasil de Investigação Digital) - DICB 2026, nesta quinta-feira (26/2), no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. O evento, que vai até esta sexta-feira (27/2), reúne profissionais dos setores público e privado que atuam com segurança e cibersegurança. O objetivo é proporcionar uma troca de experiências sobre prevenção, combate e responsabilização por crimes que ocorrem dentro e fora dos ambientes virtuais, mas que têm as tecnologias digitais como principal ferramenta.
Representando o Governo do Estado, o secretário da Segurança Pública, Mario Ikeda, abriu a Conferência, ao lado do chefe da Polícia Civil, Heraldo Guerreiro e dos organizadores e membros da WB Educa, Marcelo Maduell Guimarães e Emerson Wendt e Alessandro Barreto. Ikeda destacou a importância do encontro na formação dos policiais e no combate ao crime organizado, citando a crescente queda nos indicadores criminais.
“Crimes e golpes cibernéticos são complexos, o que implica em maior dificuldade no combate às ocorrências virtuais. Por isso as forças de segurança ganham muito com a formação contínua e a atualização constante”, afirmou Ikeda.
O secretário destacou a qualidade e capilaridade do evento, que conta com palestrantes especialistas de diversas áreas de tecnologia e segurança, como representantes das Polícias de vários estados, do Ministério Público e profissionais da iniciativa privada e do governo dos Estados Unidos. Ikeda também ressaltou que a contribuição de cada setor da segurança é importante para o combater delitos na atualidade, já que os criminosos podem atuar de qualquer lugar do Brasil, inclusive fora do país.
Ao parabenizar a iniciativa, o delegado Guerreiro afirmou: “Enquanto cada vez mais nossa sociedade valoriza a exposição nas redes sociais e o uso de equipamentos que estão conectados em tempo real, os criminosos deixam pistas mais evidentes, para que a polícia possa fazer uma investigação qualificada, com uso de inteligência e tecnologia”.
Em sua fala, o fundador da WB Educação, Emerson Fendi, destacou o papel da Segurança Pública Estadual e da Polícia Civil na condução de investigações no cenário contemporâneo, salientando a importância do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) na solução e prevenção a crimes relacionados a essa temática.
A palestra de abertura foi proferida pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Ivana David, que abordou principalmente o uso de provas digitais no processo contemporâneo e os desafios inerentes: investigação, validade e cadeia de custódia.
A desembargadora abordou o desafio de enfrentar organizações criminosas, especialmente as digitais, qualificando a investigação e as evidências. Segundo Ivana, hoje os crimes analógicos e virtuais dependem de um processo de investigação sem vícios, para garantia de todo o processo.
“O Brasil enfrenta desafios na validação de evidências de crimes que ocorrem com apoio do meio digital, apesar de ser signatário de diversas convenções internacionais que visam o combate a crimes. Hoje o desafio de buscar provas digitais está nas práticas de organizações, que cometem todo tipo de crime de forma tecnológica. Minar os recursos desses grupos, como o acúmulo de cripto ativos, é ainda mais desafiador, uma vez que esses valores são protegidos digital e internacionalmente. A materialidade da prova depende da devida investigação criminal para que a evidência conste nos autos”, defendeu a magistrada.
Programação
O evento conta com duas trilhas de apresentações paralelas. Entre os palestrantes, estão representantes da Polícia Civil. Na manhã do primeiro dia, a delegada Luciane Bertoletti e o policial civil Renan Moura, ambos da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, ministraram a palestra “Identificamos e prendemos todos sem quebra de sigilo... mas pode isso Arnaldo?”, indicando que o sucesso no desfecho de alguns casos pode estar na coleta de evidências disponibilizadas pela própria vítima e em fontes públicas de informação. Em sua abordagem, ela mostrou como os policiais vêm fazendo investigações arrojadas, usando ferramentas tecnológicas e OSINT (open source intelligence), ou seja, inteligência de fontes abertas.
Na programação da tarde, o inspetor Pietro Bittencourt de Souza (DERCC) ministrou a palestra “Invisíveis no virtual, identificados no real”, em que mostrou como dados tradicionais podem derrubar cibercriminosos. Ele apresenta dois casos em que foram empregados métodos e técnicas para chegar à identificação dos suspeitos usando principalmente dados telefônicos, bem como dados financeiros que, mesmo ocultos no mundo digital, deixaram rastros analógicos”, revelou.
Na tarde do segundo dia, o delegado Cristiano Ritta, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), de Bagé, apresenta a palestra “Investigative hacking, engenharia social e localização de criminosos” e participa do painel “Geolocation & Timestamp: o poder dos dados para a investigação tecnológica”. Ritta é especialista em inteligência artificial e desenvolvedor de tecnologias para investigação. Ele reflete sobre como a investigação se beneficia das práticas de hackers, sobre o poder dos dados geolocalizáveis rastreados e aborda como a engenharia social, ou a manipulação psicológica usada por criminosos para obter informações, ou vantagens, pode ser identificada e investigada.
O DICB 2026 conta com apresentações de mais de 40 especialistas da área para um público de cerca de 300 participantes.
Texto: Dulce Mazer (N/SSP). Edição: Ascom/SSP