Mulher perde mais de R$ 144 mil em golpe utilizando nome do Google
Polícia Civil gaúcha cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo
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A 3ª Delegacia de Polícia de Canoas investiga o caso de uma diretora de escola vítima de um golpe que resultou no prejuízo de R$ 144.052,92. Com apoio da 2ª Delegacia de Polícia Regional de Canoas (DPR) e da Polícia Civil paulista, os policiais realizaram a Operação Tríade nas cidades de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba e Várzea Paulista na segunda-feira (23/2), onde foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão com o bloqueio de contas bancárias. Também foram apreendidos celulares, tablets e documentos que seguem sob análise.
O golpe
O crime de estelionato teve início em agosto de 2025, quando uma mulher, se passando por funcionária da empresa multinacional Google, entrou em contato para confirmar o endereço da escola onde a vítima trabalhava. No dia seguinte, enviou um documento eletrônico para assinatura, que a diretora assinou sem ler. Ao retornar das férias, a diretora recebeu a ligação de uma pessoa que se identificou como oficial de justiça do Distrito Federal, informando que a vítima estava inadimplente por um serviço contratado com a empresa de tecnologia. A diretora afirmou não reconhecer a contratação e foi orientada a ligar para a empresa responsável — o mesmo número que havia feito contato anteriormente. Informaram que ela teria contratado um serviço de divulgação no Google e que, para cancelar o contrato, deveria pagar três parcelas de R$ 955 em taxas rescisórias. Com medo de negativação e prejuízos profissionais, ela pagou.
No dia seguinte, a falsa oficial de justiça voltou a ligar, informando que o nome da vítima continuava negativado e indicou o contato de uma suposta advogada da empresa. A partir daí, sob pressão psicológica e alegação de novas taxas para cancelar o contrato e retirar o protesto, a diretora realizou outras transferências bancárias com recursos próprios.
A investigação identificou uma associação criminosa especializada em golpes, articulada por uma advogada suspeita de liderar o grupo no estado de São Paulo. Segundo a delegada Luciane Bertoletti, o caso demonstra a crescente sofisticação dos golpes virtuais. A OAB/SP acompanhou o cumprimento dos mandados.
Outras fases de investigação
Em outra fase da operação, realizada no Distrito Federal, foi descoberto um esquema de call center para aplicação de golpes dessa natureza. Segundo o delegado Cristiano Reschke, da 2ª DPR de Canoas, esse fato pode indicar a existência de outras vítimas. “O esquema se mostrou sofisticado, com uso de dados da vítima e a participação de pessoas com formação acadêmica, entre elas, a advogada, simulando uma 'tríade' formada por uma falsa oficial de justiça, a falsa advogada e a falsa representante do Google”, revelou o delegado. A advogada, principal suspeita, está foragida. As investigações continuam para apurar toda a extensão do esquema.
Texto: Dulce Mazer. Edição: Letícia Jardim