Especialista em varredura eletrônica palestra em evento promovido pela SSP
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Evitar o vazamento de informações sigilosas e identificar ameaças no ambiente virtual foram alguns dos temas abordados nesta quinta-feira (14), pelo presidente da Research Electronics International (REI), Thomas Jones. As atividades aconteceram durante o primeiro Curso de Varreduras Eletrônicas (CVE), promovido pelo Departamento de Inteligência de Segurança Pública (DISP/SSP).
A iniciativa pioneira no Brasil tem duração de 100 horas/aula e acontece até o dia 22 de setembro, na sede da SSP. As atividades tiveram início na última segunda-feira (11) e visam capacitar servidores da esfera municipal, estadual e federal a fazer varreduras a partir de equipamentos eletrônicos e por detecção manual.
O presidente da Research Electronics International (REI), Thomas Jones, contou sua experiência a frente de uma das maiores empresas do mundo no setor de varreduras eletrônicas, com sede nos Estados Unidos. A REI produz e fornece equipamentos tecnológicos para mais de cem países. Jones ressaltou que as instituições do Brasil estão começando a se preocupar mais com o sigilo de informações confidenciais.
A palestra foi acompanhada por cerca de 40 profissionais, de diversas instituições. “Existe uma competência muito grande nos agentes brasileiros, mas um déficit maior ainda em termos de equipamentos para o desenvolvimento desse tipo de trabalho”, disse.
Para ele, a prevenção é mais importante do que somente a reação depois da ocorrência de um episódio negativo. “O FBI tem como uma das suas principais normas cuidar para que não haja vazamento de informações. Alguns de nossos produtos, inclusive, são desenvolvidos exatamente de acordo com as especificações que eles apresentam”, contou.
O representante da REI no Brasil, Milton Heineke, ressaltou que a evolução no segmento tecnológico tem sido muito rápida e que é preciso estar atento a isso. “Dispositivos como gravadores e câmeras ocultas são facilmente encontrados a preços acessíveis na internet. É esse alerta que estamos trazendo, com relação à facilidade em que qualquer pessoa pode obter uma informação relevante ou não”, destacou.
Para o diretor do Disp, delegado Rodrigo Pohlmann, os últimos acontecimentos envolvendo o cenário político brasileiro tornam o assunto atual e ainda mais relevante. “A captação e vazamento de informações por meio de equipamentos tecnológicos tem sido uma prática cada vez mais comum. Isso gera uma movimentação muito grande no país, abalando a política, economia e diversas outras áreas”, analisou.
Técnicas de varreduras
São duas as principais formas de se fazer varredura eletrônica: as transmissoras e as passivas. A primeira envolve a informação transmitida por radiofrequência. “Existem equipamentos específicos que podem detectá-la”, explicou Thomas Jones.
A segunda forma trata de algo transmitido via fibra ótica, microfones com fios ou até mesmo gravações. Estas também possuem ferramentas definidas. “O maior desafio das instituições ainda é prever o comportamento humano. A varredura procura identificar a ameaça, mas a maioria dos vazamentos de informações é feito via contato entre pessoas. É necessário analisar e trabalhar o comportamento a ser adotado nas instituições.”, frisou o especialista.
Investimentos
Foram apresentadas as soluções tecnológicas produzidas pela REI, avaliadas em mais de R$ 4 milhões. Questionado sobre os investimentos necessários, Heineke destacou que são compatíveis com o valor da informação que será protegida. “Quanto custa uma informação vazada? Usando a Polícia Federal de exemplo, não é possível colocar no papel o valor de todas as operações realizadas pela instituição. Em proporção a tudo que é possível evitar, o investimento é perfeitamente justificável”, esclareceu.